quinta-feira, 1 de outubro de 2009

"Vivemos num país de faz-de-conta"


MANUEL VITORINO

Uma lição de finanças e economia. Gráficos, estatísticas, números negros sobre o PIB foram alguns temas da palestra de Medina Carreira que, ontem, quarta-feira, lançou um repto aos políticos num livro inquietante sobre o país: "Portugal, que Futuro?"
Foi uma conversa amarga, sem rodriguinhos, falinhas mansas. Ontem, no Palácio da Bolsa, no Porto, Medina Carreira, advogado e ex-ministro das Finanças, fez em pouco mais de meia hora a radiografia de um país com uma economia a descer mais do que a média da União Europeia e com "graves desequilíbrios" financeiros. "Vivemos num país de faz-de-conta", disse, antes de exibir os gráficos do economista Silva Lopes, ex-ministro das Finanças e do Plano.
Como os "números não enganam", o "powerpoint" tratou de evidenciar a radiografia do país adiado: uma taxa de desemprego a subir de forma "exponencial" de 3,9% em 2000 para 7,6 % em 2008; uma taxa de crescimento económico de apenas 0,8%, uma dívida pública a subir de 55% do PIB em 2004, para 66 % em 2008. Depois, continuou Medina Carreira, o endividamento externo não parou de crescer: 38% do PIB em 2000 e 97% em 2008. "Por este andar, vamos crescer menos que uma décima", disse.
As grandes obras públicas, como o TGV, mais o novo aeroporto e a construção de estradas mereceram reparos do ex-ministro. "As obras públicas anunciadas são autênticos crimes políticos", apelidou, para logo de seguida lembrar o facto de Portugal ser o "quarto ou quinto país do Mundo com mais estradas por quilómetro quadrado".
Com seis milhões de pessoas a depender, directa ou indirectamente do Estado, Medina Carreira não antevê na próxima legislatura "qualquer mudança", antes um país com uma carga fiscal "idêntica à Alemanha" e o IVA a penalizar as classes mais modestas do tecido económico e social.
O banqueiro Miguel Cadilhe também foi ao Palácio da Bolsa e, entre outras alusões, lembrou a falta de elites políticas: "É muito pobre a nossa classe política", disse. O empresário Belmiro de Azevedo também foi ao debate, mas optou por não fazer comentários. Saiu antes, com o autógrafo no livro "Portugal, que Futuro?"



http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=1377180

(JN, quinta- feira 01/10/2009)

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